Itália

Viva Itália!

Falar em Itália remete às melhores sensações que podemos ter na vida: o prazer da comida, da conversa entre amigos, da união em família, do tempo livre, do momento em que nossa pele arrepia quando olhamos pela primeira vez a Santa Croce em Florença, ou as ruazinhas cheias de varal de roupa em Palermo, além da cor esplêndida do Lago di Como. Poderia discorrer milhões de cenas fascinantes como essas. Não caberia num texto e nem numa vida. A Itália é o entusiasmo que mora dentro de nós quando pensamos em viajar, comer bem ou cultivar o essencial ócio. Ah! O dolce far niente...

Embora a Itália seja um país pequeno, é super diverso quando se percorre Norte a Sul. Podemos dizer que existem países diferentes dentro dela mesma, tão distinta é uma região da outra. A geografia da Itália é formada por 20 regiões e qualquer italiano irá afirmar a distinção entre cada uma delas, seja no que diz respeito a hábitos culturais, sociais ou gastronômicos. Não se pode, na verdade, comparar o Sul com o Norte da Itália.

De Roma para baixo

De Roma para baixo existe mais simplicidade, mais calor (inclusive no sentido figurado), fala-se mais alto, a vida é vivida de um modo mais "escrachado", na minha opinião, e as pessoas se enxergam mais - olham e reparam mais umas nas outras e, convenhamos, se intrometem mais na vida umas das outras! Os italianos do Sul são pessoas mais acolhedoras que se transformam em amigos subitamente.

Veja bem: não significa que você não encontre essas particularidades mais ao Norte, principalmente nas cidades pequeninas que são centenas espalhadas e reservam relacionamentos e encontros extremamente afetuosos - mas definitivamente não é como no Sul. Por isso, dependendo da experiência que você busca durante uma viagem para a Itália, e ao montar este roteiro Itália, um bom termômetro é saber como se mostra cada região e como se comporta cada italiano.

De Roma para cima

De Roma para cima, o turismo - além de ser maior, principalmente na região da Toscana tão bem promovida mundialmente - dá o tom à cultura principalmente nas cidades mais conhecidas como Florença, Milão, Veneza e a própria Roma: abarrotadas o ano todo (exceto, e infelizmente, durante a pandemia do Covid-19). Sente-se menos acolhimento, no sentido mais puro da palavra, e prevalece uma relação um pouco menos calorosa e bastante voltada ao turista de massa.

A Itália mais vibrante

De Nápoles para baixo é como se entrássemos numa grande feira a céu aberto: barulhenta, bagunçada, colorida, viva. E como é viva! E onde entendi o valor do tempo em nossas vidas. Onde provei os melhores sabores e aromas dos quais são feitos a culinária mediterrânea do Sul da Itália. Onde lembrei dos meus antepassados, de como nos relacionávamos, me emocionando a cada olhar, a cada comportamento, a cada anoitecer, cada vez mais similares com minhas raízes árabe-italianas das quais sou feita.

Quando se fala em herança histórica, por sua vez, difícil não pensar nos romanos. Vá a Roma pra entender um pouco da história que marcou essa que foi uma das civilizações mais importantes do mundo. Pra ficar de queixo caído, gaste um pouco do seu tempo e se coloque de frente ao gigante Coliseu. Sendo você religioso ou não, não deixe de visitar o Vaticano. Vai além do que se pode imaginar em estrutura e opulência.

Desejo não fazer artigos tendenciosos, mas jamais conseguirei negar minha paixão pelo Sul da Itália. Realizar o sonho que foi conhecer a Sicília é algo que até hoje dispara meu coração quando lembro das fotografias que me veem à mente. É uma região de beleza inebriante, cheia de riqueza em cultura e tradição. Sem contar alguns monumentos e museus imperdíveis em Palermo, cuja arquitetura guarda uma herança única deixada por Árabes, Gregos e Espanhóis.

Mas leviano seria da minha parte não valorizar a beleza que se encontra em cidadezinhas bem acima do país, como Bergamo e Bergamo Alta; ou Parma, Verona e Padova... sem falar em Veneza, de onde veio minha família materna e da qual tenho tanto orgulho: imigrantes batalhadores, deixando-me a cidadania italiana que me permite, hoje, explorar mais ainda esse mundo livremente.

Gastronomia

Quando considero uma viagem a Itália, na hora penso em comida: estar à mesa em torno de amigos e família, durante horas, rindo, brigando, chorando, vivendo. O italiano dedica uma parte bem considerável do seu dia a dia em torno da boa mesa. Família é o que de mais importante existe na vida deles (justo!), e passar bons momentos entre amigos e pessoas amadas, alimentando-se bem, é um costume levado muito a sério por eles.

Italianos são conhecidos no mundo todo por cozinhar bem e dificilmente você achará algum deles que não tenha um mínimo de aptidão na cozinha. Em qualquer roteiro Itália, tenha certeza que gastronomicamente falando você não irá se decepcionar. Não só porque encontramos excelentes cozinheiros, mas também porque o país tem uma geografia que lhe permite produzir e usufruir de tudo um pouco: frutas, verduras, peixes e frutos do mar (sempre frescos), terroir que faz vinhos maravilhosos, sem contar a variedades de massas e pães das quais eles dominam com maestria. Logicamente estou resumindo, porque encontra-se muito mais variedade: garanto que há para todos os paladares. Melhor ainda é saber que cada região da Itália oferecerá pratos bem particulares e diferentes uns dos outros. Diversidade também define a riqueza desse país.

Onde visitar

Não vejo melhor cidade por onde começar que Roma. Berço das civilizações. Belíssima, grande, histórica, emocionante. Se houver tempo, pegue um trem para Florença e Veneza. São duas relíquias mundiais. Os trajetos de trem, além de não serem tão longos, são muito agradáveis pelas paisagens e estrutura. Paga-se aproximadamente 25 a 50 USD de Roma a Florença (dependendo do dia, horário e velocidade do trem) e daqui a Veneza mais cerca de 30 a 60 USD. Pode-se comprar na hora, na própria estação, ou online, antecipado, com preços melhores (gosto muito do Trainline).

Particularmente, não acho Milão imperdível (sei que muitos vão me criticar por escrever isso!), mas para quem gosta de cidades cosmopolitas e varejo de moda, é uma boa opção. Já estando no Norte, vale muito a pena, havendo tempo, conhecer Bergamo, Como (neste caso, o budget de sua viagem precisa ser alto, porque é uma região bem cara) Parma e Verona. Ou mesmo cair do outro lado para Turim, cuja arquitetura é linda e sua proximidade da França lhe traz ares um pouco diferentes. Mas aí o seu roteiro Itália precisaria estender para 10 a 15 dias pelo menos.

Onde se hospedar na Itália

Tudo depende do budget. Há opções para todos os bolsos. Porém, se a idéia não é investir muito, os Bed & Breakfasts (B&B's) funcionam muito bem, no país inteiro, assim como os apartamentos de aluguel via sistema Airbnb. Já fiquei em ambos e várias vezes. E decido entre um e outro de acordo com o tempo da minha estada e a expectativa que me move por trás da viagem em questão. Por exemplo: sugiro B&B para estadas curtinhas ou quando a idéia é economizar mais (a partir de 30 Euros, pelo Booking). Mas há quem goste de ter a experiência como um local - neste caso, nada melhor que alugar quartos ou apartamentos pelo Airbnb pois a probabilidade de interagir com o proprietário e ter um gostinho de como vivem os italianos, é maior (hoje em dia, encontra-se apartamentos lindos para alugar assim como podem ser tão caros quanto hotéis). Eu amo ficar em Hotel também, mas nas principais capitais da Itália (Roma, Milão, Turim, Veneza) bons hotéis não cobram menos que 200 Euros a diária.

Quando ir para Itália

Quando alguém começa a programar uma viagem para Itália, dificilmente precisará escolher a melhor estação do ano, pois particularmente acredito que em todas elas é possível aproveitar, e muito, as diversas regiões do país. A Itália não tem um inverno muito rigoroso - para aqueles que não gostam do frio -, e quanto mais se chega ao Sul, mais quente será. Por outro lado, se você gosta de evitar sentir muito calor, pense em explorar o Norte que, mesmo durante o Verão, tem temperaturas mais amenas, principalmente aos finais do dia.

Primavera/Verão

Se a viagem for no Verão, explorar a Costa Amalfitana é inesquecível, na minha opinião: Positano, Sorrento e Ischia, por exemplo. Faz-se o trajeto entre as ilhas de barco, mas carro também funciona, ainda que barco tenha muito mais charme. Não deixaria de conhecer antes Nápoles e esticar até Pompéia (dá pra conhecer numa tarde) - um passeio fascinante por esse sítio arqueológico abalado pela erupção do Monte Vesúvio séculos atrás (recomendo muito contratar um guia experiente, como o Naples Grand Tour). Há quem ame e quem odeie Napóles. É uma cidade difícil de conquistar um meio termo! Particularmente, a considero deslumbrante, pitoresca e imperdível. Outro destino maravilhoso na Primavera/Verão é a Sicília: explorar a Ilha toda começando por Palermo, depois Cefalu, Taormina, Isola Bella, Catania, Siracusa, do outro lado da ilha Marsala... É pequena e fácil de conhecer em cerca de duas semanas. Ficar 15 dias é ideal. Pode-se fazer de carro ou até mesmo barco parando pela costa. A região de Puglia também é maravilhosa de conhecer quando as temperaturas estão elevadas.

Outono/inverno

No Inverno, dá pra conhecer muita coisa, no entanto, apenas descartaria regiões de praia como Costa Amalfatina, Córsega, Sardenha... Veneza, no inverno, também não é muito agradável por conta de chuvas e muita umidade. Não costuma nevar na Itália, então acho bastante tranquilo explorá-la no Inverno, se você é amante de temperaturas frias. Escolher o Outono, por outro lado, é sempre um coringa.

Quanto tempo

Reservaria pelo menos três a quatro dias para cada cidade; é um país riquíssimo em vários sentidos e não se pode usufruir e absorver se pular de um canto para outro. Dependendo do roteiro Itália que deseja desenhar, trajetos de avião funcionam bem (Roma-Palermo; Roma-Milão; por exemplo). A primeira vez em que fiz uma viagem para Itália, fiquei duas semanas e pude conhecer bastante. Se o seu tempo for de apenas uma, escolheria apenas duas cidades, pra não ir embora com a sensação de pouco ter visto.

Quanto custa viajar para Itália

De modo geral, não é um país caro para o turista, ou melhor, dá para se fazer uma bela viagem a Itália gastando relativamente pouco (logicamente não estou levando em consideração o preço altíssimo do dólar e do Euro, em 2020, para os turistas da América do Sul). Mesmo cidades maiores, como Roma e Milão, não são tão caras se comparadas a outras metrópoles como Paris, Nova Iorque, Londres e Amsterdam (onde eu moro. É geralmente o ponto de partida para percorrer o país, leia tudo aqui)...

Come-se bem na Itália - principalmente nas cidades menores - com 25 USD (digamos: entrada, prato principal e uma taça de vinho da casa). Até menos dá pra gastar dependendo da popularidade da cidade, se não estiver entre as mais visitadas, por exemplo.

Museus e igrejas geralmente cobram a entrada, que varia também de 10 a 20 USD. Transporte como ônibus e trem não são caros. Táxis e Uber também são fáceis de usar, via aplicativo, em cidades maiores eles compensam dependendo do trajeto, necessidade de conforto e quantidade de malas.