Benevolência

31 de Março de 2022

Amizades são mensuráveis? Bem, eu tenho uma teoria. Se você já perdeu um ente querido, tente se lembrar daqueles que compareceram ao funeral. Quando a minha mãe faleceu, contei não só com o apoio incondicional do meu parceiro de vida (sem o qual me faltaria ar para viver) juntamente da sua família, mas também com amigos que não estariam em outro lugar senão ali, ao meu lado.

Depois de um tempo me peguei pensando naqueles sobre os quais pensava serem próximos o suficiente para se fazerem presentes em um dos dias mais dolorosos da minha vida. Acontece que eu estava bem errada. No entanto, a vida sempre foi generosa comigo, seja apontando a direção certa ou simplesmente cuidando de coisas que não me valem a pena, naturalmente. Sete anos depois que minha mãe descansou, aqueles que me fizeram falta no dia da partida dela não fazem mais parte da minha vida. Para mim, são sinais mostrando que uma amizade verdadeira nunca se desvanece com o tempo e, da mesma forma, os amigos verdadeiros também aparecerão quando você mais precisar deles.

Por mais que os serviços fúnebres possam ser avassaladores e deixar o processo de luto ainda mais pesado, há uma mensagem simbólica que os acompanha: é quando vemos o belo significado da empatia. Quando a dor é compartilhada, o amor e o cuidado se manifestam em grande abundância. Dói muito, mas o fardo pode ser ligeiramente apaziguado quando estamos entre aqueles que podem se identificar com nosso sofrimento.

Enquanto escrevo esta Confissão, meu parceiro e sua família lamentam a perda de seu patriarca. Que homem grande, honrado e único ele era! Na verdade, as palavras não fazem justiça para descrever sua integridade e personalidade. Não houve uma única pessoa que cruzou o caminho do meu sogro que não aprendeu com ele. Na verdade, ele era uma daquelas pessoas que tendíamos a considerar como invencivel, imortal... tão forte era seu caráter. É realmente um momento muito triste e uma grande perda para todos.

Então me peguei pensando novamente nos amigos que apareceram dessa vez. Lá estavam eles: um casal de dois melhores amigos que fizeram o esforço de dirigir quilômetros de distância, pausando suas vidas ocupadas para estar lá com corações compassivos e ternos. Para constar, não pude ir. Fiquei presa na Itália. Mal posso descrever como foi para mim não poder segurar a mão do meu grande amor no adeus final de seu pai. Mas nossos dois melhores amigos conseguiram, representando amizade, amor e um pouco de mim.

Dedico esta carta a eles que temos a sorte de ter em nossas vidas. Sa e Viola: todo meu amor e gratidão a vocês, meus queridos amigos.

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