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São Paulo

Amor, dor, intensidade e contrastes: a minha São Paulo é assim

São Paulo é um lugar onde os fracos não tem vez. E escrever sobre esta cidade, onde vivi metade da minha vida, traz à tona sentimentos profundos e enterrados que antes me fizeram querer tanto estar ali e fazer parte de algo especial. Como resultado, fiz amigos que se tornaram família.

Muitos anos depois, fui consumida por uma enorme vontade de partir. Eu precisava me libertar deste lugar para começar a apreciá-lo novamente. São Paulo pode nos despertar emoções de amor, resiliência, paixão, ódio e aversão, todas igualmente intensas, ao mesmo tempo em que nos faz viver como se fosse o último dia de nossas vidas. Existe uma expressão popular que diz: “o trabalho enobrece o homem”. Até que ponto? Me pergunto.

Quando elas moram em São Paulo, as pessoas interpretam este lema ao pé da letra: trabalhar é a meta maior na capital brasileira. Normalmente, esse também é um dos principais motivos que nos atrai e nos mantém ali. Tanta oportunidade na grande São Paulo! Apesar do ambiente caótico que enfrentamos todos os dias, São Paulo nos impulsiona com uma energia tremenda e eleva nosso espírito com uma grande vontade de seguir em frente, de nunca desistir.

Vista aérea da cidade de São Paulo

Não posso dizer que São Paulo é uma cidade bonita. Mas pode ser extremamente atraente. Há magníficos restaurantes de culinária internacional e brasileira; hotéis lindos para se hospedar; bares e vida noturna que atendem a todos os gostos; muitos museus e galerias (a cena da arte contemporânea está evoluindo muito); festivais e, claro, o melhor Carnaval de rua do país (cariocas podem discordar, eu sei). Lembre-se que é bastante caro. Tudo isso se mistura com céus cinzentos, moradores de rua, intermináveis fios ao ar livre e ruído excessivo no tráfego. Mas de alguma forma, nos acostumamos com isso.

Porém, a melhor parte, em minha opinião, são os relacionamentos que desenvolvemos e nutrimos. Em São Paulo, encontramos as pessoas mais maravilhosas e calorosas do mundo. Ah, como eu tenho saudade delas! Lembro-me como se fosse ontem quando cheguei aos 18 anos com uma mala cheia de sonhos e aspirações.

Encontrei amigos carinhosos que me fizeram sentir em casa. Esse era o combustível que eu precisava para crescer, para continuar. O mesmo combustível dos quais tantos outros milhões de paulistanos ou estrangeiros precisam todos os dias. São Paulo pode nos derrubar, como qualquer outra grande capital financeira e cosmopolita, mas sempre haverá alguém pronto para nos pegar pelas mãos e se relacionar com a nossa luta.